A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10 de julho de 2026), a Operação Adsumus, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro comandado pela facção criminosa Comando Vermelho[1]. O grupo utilizava torneios de bingo clandestinos e a exploração de jogos de azar para dar aparência de legalidade a recursos financeiros obtidos por meio de crimes graves, como o tráfico de drogas e extorsões[2].
A operação resultou no cumprimento de 17 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias (Polo Rondonópolis)[3]. A ação contou com frentes de busca, apreensões e prisões coordenadas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis[3].
Casa de shows e eventos servia de fachada para sorteios clandestinos
O principal alvo operacional da Polícia Civil foi um estabelecimento comercial de médio porte localizado em Rondonópolis[2]. O local, conhecido por promover shows, festas e eventos artísticos regionais, funcionava na realidade como sede fixa e permanente de bingos clandestinos controlados pela facção[1][2].
As investigações contábeis e financeiras revelaram que o estabelecimento movimentava grandes somas em dinheiro em espécie e depósitos bancários em volumes totalmente incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos proprietários[2][3].
Diante das evidências, a Justiça determinou:
A suspensão imediata das atividades econômicas e financeiras da empresa[3];
A interdição e lacração física do imóvel[4];
A apreensão de globos de sorteio, dezenas de cartelas de bingo, máquinas caça-níqueis, além de uma máquina de pelúcias (conhecida como "máquina de urso") e outros equipamentos eletrônicos de exploração de jogos de azar[2][3].
17 mandados judiciais cumpridos em quatro cidades do estado
As diligências da Operação Adsumus foram distribuídas de forma simultânea em quatro importantes municípios de Mato Grosso: Rondonópolis, Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra[3]. Ao todo, as equipes policiais cumpriram:
11 mandados de busca e apreensão em residências e escritórios dos investigados[3];
3 mandados de prisão preventiva contra lideranças e operadores financeiros da célula[2][3];
Bloqueio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas utilizadas para pulverizar os recursos do crime[3][5];
Quebra do sigilo bancário dos principais alvos da investigação[3].
Os indiciados devem responder judicialmente pelos crimes de integrar organização criminosa, lavagem de capitais, tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão, fraude processual, falsidade ideológica e posse irregular de arma de fogo[3][5].
Origem da investigação: Assalto e incêndio em padaria em 2025
De acordo com o histórico das investigações conduzidas pela Derf de Rondonópolis, o complexo esquema de lavagem de dinheiro por meio de bingos começou a ser desvendado a partir de um crime isolado ocorrido em 18 de fevereiro de 2025, no bairro São Sebastião[4][6].
Na ocasião, dois criminosos armados invadiram uma padaria local, cometeram um roubo e, antes de fugirem, atearam fogo no estabelecimento[7]. A dupla acabou capturada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) enquanto viajava em um ônibus interestadual utilizando documentos de identificação falsos[7].
Os celulares dos criminosos foram apreendidos e submetidos a perícia técnica e extração autorizada de dados[5][7]. A análise do conteúdo dos dispositivos revelou mensagens, planilhas e áudios que detalhavam o funcionamento de uma célula do Comando Vermelho focada na arrecadação financeira, na ocultação de patrimônio e na contabilidade dos sorteios clandestinos realizados nas casas de eventos do interior[2][7].
Com o material probatório consolidado, a Polícia Civil conseguiu rastrear a rede de laranjas e as empresas de fachada, culminando no desmantelamento do braço financeiro da organização criminosa[7].
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