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Peixoto de Azevedo,29/07/2026

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Furto de Energia em Mato Grosso: 19 GWh Desviados Abasteceriam 90 Mil Casas Por um Mês

Para compreender a magnitude desse volume, a energia desviada entre os meses de janeiro e junho seria suficiente para abastecer 90 mil residências de médio porte durante 30 dias

Redação atnoticia
Furto de Energia em Mato Grosso: 19 GWh Desviados Abasteceriam 90 Mil Casas Por um Mês Divulgação

O desvio clandestino de eletricidade, popularmente conhecido como "gato", continua sendo um dos principais desafios para a segurança pública e a estabilidade do sistema elétrico em Mato Grosso[1][2]. De acordo com o balanço consolidado pela concessionária Energisa Mato Grosso, referente ao primeiro semestre de 2026, cerca de 19,6 gigawatts-hora (GWh) de energia elétrica consumida no estado não passaram pelos sistemas oficiais de medição devido a fraudes e ligações irregulares[1][3].

Para compreender a magnitude desse volume, a energia desviada entre os meses de janeiro e junho seria suficiente para abastecer 90 mil residências de médio porte durante 30 dias[1][3]. Esse montante equivale ao consumo mensal de uma cidade de médio porte do Centro-Oeste brasileiro, evidenciando o impacto socioeconômico gerado pela prática criminosa[1].


Como é feito o cálculo da energia furtada?

A contabilidade da energia que deixou de ser faturada é obtida por meio de um trabalho técnico contínuo de fiscalização de campo[1][4]. Sempre que os técnicos da distribuidora localizam e desfazem uma ligação clandestina ou um medidor violado, as equipes de engenharia realizam um levantamento retrospectivo[1][4].

O cálculo para dimensionar o volume de energia consumida sem registro baseia-se em critérios técnicos rígidos normatizados pela agência reguladora, tais como:

  • A carga de equipamentos eletrodomésticos instalada no imóvel fraudador;

  • O tipo de ligação irregular identificada (desvio direto da rede ou adulteração de medidor);

  • O período de tempo estimado em que o "gato" permaneceu ativo e operante.

Com base nesse cruzamento de dados, a concessionária consegue mensurar a energia real consumida pelo fraudador[3].


Os perigos ocultos por trás dos "gatos" de energia

Muito além das perdas financeiras — cujos custos acabam sendo parcialmente partilhados entre todos os consumidores regulares por meio das revisões tarifárias anuais —, o furto de energia gera riscos severos à segurança física das comunidades[3][4].

Como as instalações irregulares são feitas de forma totalmente improvisada e sem qualquer critério de engenharia elétrica, elas se tornam verdadeiras armadilhas urbanas[1][2]:

  • Risco de incêndios: Fios expostos e emendas malfeitas podem superaquecer e provocar curtos-circuitos, gerando faíscas que se transformam em incêndios em residências ou áreas de vegetação de entorno[2][4];

  • Acidentes por choque elétrico: A falta de aterramento e o isolamento inadequado de cabos expostos representam uma ameaça fatal de eletrocussão para pedestres, crianças e até animais de estimação;

  • Instabilidade na vizinhança: Os desvios diretos de rede sobrecarregam os transformadores da concessionária, gerando oscilações de tensão e frequentes quedas de energia que danificam eletrodomésticos de moradores que pagam suas contas de forma regular[2][3].

"Quando identificamos uma fraude, não recuperamos apenas uma medição. Restabelecemos a segurança da instalação e a confiabilidade da rede elétrica na localidade", destaca Maria Luisa Xavier, supervisora de Combate a Perdas da Energisa Mato Grosso[3].


Consequências legais: Furto é crime com pena de até 4 anos

A legislação brasileira pune de forma severa a adulteração de medidores e a ligação direta na rede[3][4]. A prática é tipificada como crime de furto, conforme estabelecido no artigo 155 do Código Penal Brasileiro[3][4].

O infrator que é pego em flagrante com ligações irregulares em seu imóvel residencial, comercial ou industrial fica sujeito a:

  1. Pena de reclusão: Prisão de um a quatro anos[3][4];

  2. Cobrança retroativa: Abertura de processo administrativo e judicial para a cobrança integral dos valores referentes à energia consumida ilegalmente e não faturada durante o período da fraude[3][4];

  3. Suspensão do serviço: Interrupção imediata do fornecimento até que as instalações sejam totalmente regularizadas e os débitos quitados.


Canais oficiais para realizar denúncias anônimas

O combate ao furto de energia conta com a participação direta da comunidade, que pode denunciar de forma sigilosa ao perceber movimentações suspeitas em postes de energia, medidores desligados ou fiação improvisada[2].

As denúncias podem ser feitas sem a necessidade de identificação por meio dos seguintes canais:

  • WhatsApp da Energisa (Gisa): (65) 99999-7974[4];

  • Aplicativo Oficial: Energisa On ou pelo site oficial da distribuidora[4];

  • Central de Atendimento: 0800 6464 196[4];

  • Polícia Militar: Telefone 190[4];

  • Disque-Denúncia: Telefone 181[4];

  • Polícia Civil: Telefone 197[4].




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